Rating bancário: o que significa a classificação de AA até H

Rating bancário é a nota de risco que o banco atribui a cada operação de crédito, na escala clássica que vai de AA (risco mínimo) a H (risco máximo), criada pela Resolução CMN 2.682/1999. Quanto pior a nota, mais dinheiro o banco precisa reservar para cobrir a possível perda — por isso ela influencia diretamente aprovação e juros.

Atualizado em 4 de julho de 2026 · Por Equipe ABRACRED — Assessoria Brasileira de Crédito

A escala de AA até H

A Resolução 2.682/1999 do Conselho Monetário Nacional criou a régua clássica de risco do crédito brasileiro. Cada operação recebe uma nota — e cada nota obriga o banco a provisionar (reservar) um percentual do valor para possíveis perdas:

ClassificaçãoRiscoProvisão mínima
AAMínimo0%
AMuito baixo0,5%
BBaixo1%
CModerado3%
DRelevante10%
EAlto30%
FMuito alto50%
GGravíssimo70%
HMáximo (perda provável)100%

Fonte: Resolução CMN 2.682/1999. As normas de provisão evoluíram (a Resolução CMN 4.966/2021 introduziu o modelo de perda esperada), mas a lógica de classificar o risco de cada operação — e o vocabulário AA–H — segue sendo referência no mercado.

Por que essa nota decide seu crédito

Pense do ponto de vista do banco: emprestar R$ 50 mil a um cliente classificado como H obriga a reservar os mesmos R$ 50 mil para perda provável — o negócio deixa de valer a pena. Já um cliente AA praticamente não gera reserva.

Resultado prático: quanto pior a classificação, menor a chance de aprovação e maiores os juros oferecidos. Melhorar a percepção de risco não é estética — é o que destrava crédito mais barato.

O que puxa a nota para baixo (e para cima)

  • Atraso: o fator mais direto — a regra escalona a nota mínima conforme os dias de atraso (15–30 dias, 31–60, e assim por diante, até H após 180 dias);
  • Endividamento total: o banco vê suas outras dívidas pelo SCR;
  • Garantias: operações com garantia real (imóvel, veículo) tendem a notas melhores;
  • Situação financeira: renda, faturamento e capacidade de pagamento;
  • Histórico e relacionamento: tempo de casa e comportamento anterior contam a seu favor.

Um exemplo brasileiro

Uma pequena empresa de Uberaba atrasou 70 dias uma parcela de capital de giro durante uma crise de caixa. Pela régua clássica, a operação caiu para a faixa da nota D — e os pedidos seguintes de crédito passaram a ser negados, mesmo com a empresa faturando bem. Depois de regularizar e manter os pagamentos em dia, a percepção de risco foi melhorando gradualmente ao longo dos meses. O erro mais comum? Ter esperado 70 dias: se tivesse renegociado nos primeiros 15, a nota quase não teria sofrido.

Cuidado com golpes: o que NÃO funciona

  • Não existe "comprar" um rating melhor nem pagar alguém para "alterar sua classificação" dentro do banco. A nota é definida por critérios técnicos e pelo comportamento da operação.
  • Promessas de "virar cliente AA em 30 dias" ignoram como o sistema funciona: melhora de rating vem de regularização, tempo de bom comportamento e redução de risco — não de atalhos.
  • Cuidado com consultorias que garantem aprovação de crédito. Análise séria orienta o caminho; nenhuma empresa honesta garante o resultado, porque a decisão é sempre do banco.

Perguntas frequentes

Onde eu vejo o meu rating?

Os bancos não divulgam a classificação diretamente ao cliente. Mas há sinais indiretos fortes: o relatório do SCR no Registrato mostra atrasos e prejuízos (que puxam a nota), e as condições que os bancos te oferecem refletem o risco que enxergam.

O rating é o mesmo em todos os bancos?

Não. Cada instituição classifica as próprias operações, seguindo as regras do CMN e seus modelos internos. Você pode ser um risco melhor no banco onde tem relacionamento antigo e um risco pior num banco que não te conhece.

Pessoa física também tem rating, ou só empresa?

As operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas são classificadas. Na prática, o rating pesa de forma mais visível para empresas — mas o mecanismo vale para o crédito de todo mundo.

Atraso de quantos dias estraga a classificação?

A regra clássica escalona: a partir de 15 dias de atraso a operação já não pode ficar nas melhores notas, e cada faixa de atraso empurra a classificação para baixo, até H após 180 dias. Regularizar cedo evita a deterioração da nota.

Quitei o atraso. Meu rating volta ao normal na hora?

Não imediatamente. A regularização interrompe a queda, mas a recuperação da confiança é gradual — o histórico recente continua sendo considerado. Meses de pagamento em dia valem mais do que qualquer promessa.

Quer entender o seu caso específico?

A ABRACRED analisa como os bancos estão enxergando você ou sua empresa — e monta o caminho técnico para melhorar essa percepção. Análise individual, sem promessa de aprovação.

Fontes oficiais

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